Uma dádiva iletrada
Queria um ponto findar, hoje, esta imprópria derivação.
Com hipérbato reluto e agora o anacoluto, não vejo o por quê do perdão
Um sujeito sem seu predicado, culto ou mesmo oculto, entregue ao relento
Ir-me já não mais um cacófato, um ritual hostil, comum e cruento.
Vocativo em vão me incomoda, fez-se assim uma ironia perdida aos ventos
Triste fado ardente na hipérbole contorna a razão da elipse com tormentos!
Transpassa trágico traçando, contudo, trocando minh´alma e aliterando sofrimento.
Tão logo perfunde em veneno e tenta corromper o eufemismo inculto e efêmero
Exala o ardor de uma dor que corrói toda sinestesia niilista e incrédula
De um paradoxo infantil e ambíguo, merecedor de uma resposta suprema
De um tal coração que se partiu em estorvo de uma metáfora em dilema.
Bruno Barbosa Alencar in: Português torturante!
7/3/2005