Sono de mendigo

Ostracismo do homem que dorme na rede

Cultivando um sono acordado e safado

Nem a gota de chuva incomoda o malandro

Divertindo a mosca que chegou sem pudor

E sem forças, não age, não cospe e nem finge

Em perfeita harmonia, não esconde o odor

De sua preguiça sem fim que o mar emprestou

Impassível e calado já nem sente o calor

Quem fadiga é o vento, que faz seu movimento

Essa rede não traz Severino ou sofrimento

São pequenos pagãos peregrinos do chão

Que emprestam ao não seu destino e ilusão

Amanhã, se, levantar a procurar um caminho

Repousará sem pensar em outro cantinho.

 

Bruno Barbosa de Alencar 29/10/2008 18h44min

 

 

 

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