Sobras de um samba sem sombra

 O surdo esperando o retorno de uma  caixa de som

A baqueta alternando com a mão e marcando o refrão

Uma caixa de guerra explode sem salitre ou carvão

A tropa avançando em compasso, pés descalços, no chão

Com um tan-tan  enrolado em  pedaços de sons em cordão.

De soalhas inquietas ressonadas de um pandeiro a tremer

Saem vozes obtusas , agudas e  incertas, impossíveis de ver.

Fazendo os pés de um mineiro ensaiar com o pandeiro

Passos de “harmonia do samba” que se dança em janeiro

Mas onde está o boêmio, o passista e a porta-bandeira?

Foram sóbrios para casa ao perceberem essa triste ilusão:

O samba raiz que inspirou mundo a fora, não tem mais percussão.

E não é esse pagode que esconde o barulho de um acordeão!

Imagino do céu, Noel Rosa e Cartola com seus  “samba e chorinho”

Enganados, de um limbo, por instrumentos que tinham tanto carinho.

Bruno Barbosa de Alencar 04/11/08 20:49

 

 

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