Poeta sem idéias

Viver um poeta me faz enfadonho
As rimas se afastam e fogem distantes
Quem fez elogios, já irrito bastante
Palavras pernósticas me tornam tristonho.

Depurar as palavras com idéias cansadas
Aguça minha grande preguiça de ler.
Afasta o Dom do Quixote e meu sonho de ser
Um poeta que vive de amores e conta piadas.

Rejeito-me na metamorfose mais simples do “eu”
Estéril, meu ego, lamenta a ausência do seu
Seio formoso a nutrir loucuras mal feitas

Em dilúvio, encharco-me, agora, de vícios
Já ébrio desatino idéias através de suplícios
E atinjo o orgasmo de rimas perfeitas!

4/6/2005 (Primeiros Sonetos , em um dia em que as idéias sumiram)

 

1 Comentário »

  1. Thaynna Cristina disse

    Bravo! Realmente tem dias que as idéias somem…Porém, a criatividade do espírito assegura a escrita e entusiasma o poeta na intensidade dos sentimentos.

    PS. Há aqueles que não tem idéias e “copiam” versos dos outros. Acredita que fizeram isso comigo?? Depois dá uma olhada no meu blog (“Resposta ao Ladrão”) Gostaria do seu comentário…Beijos!!!

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