O padecer do sentimento
Desmantelaram o que me prendia
A esta vida perdida em vales
Querendo assim despir minha estátua
Impassível corroída pelo desejo.
Pedaços de mim desgrudam afoitos
Ao separar uma unidade já desfacelada
E a água tentando em vão cultivar
Sementes estéreis, caducas e inférteis.
Se ao menos sentidas, as lágrimas ensaiassem
Levitar o meu corpo que jazeu corrompido
Talvez minha alma retornasse das trevas.
Não se morre uma vez apenas na vida
Sobrevivemos a mortes constantes e sentidas
Que às vezes não sabem conceder um proveito.
Bruno Barbosa Alencar
às 02h47min do dia 12/07/2006