O enigma da incoerência
Gotas de colírio de lágrimas artificiais
Pacotes de pipoca em cinemas vazios
Ateliê de pinturas com quadros ovais
Formas concretas, pinceladas macias.
Pé de moleque em boca de diabético.
Lentes divergentes para vista cansada.
Modelos famintas por jaleco de médico.
Bombril na ponta de antena quebrada.
Remenda de soneto que não rimou
Com a incoerência que desatinou.
Não há loucura justificável no medo
Mas, sua ausência trouxe-me sorte.
Mesmo na dúvida e na insegurança
Mesmo criticando o seu lindo decote
Desculpava-me, depois, pobre criança!
Você não me fez melhor e nem tanto pior.
Você, previsível, escapou impunemente.
E cultivou o meu sentimento como rosa
Que sem regar secou sobre tantos tormentos
Foi também vil, paradoxal e incoerente.
Inoportuna, fraca, mesquinha e decadente
Vá em paz, e descanse solenemente,
Pois o que foi paradoxo, hoje é fortaleza.
E, não existe palácio sem que haja realeza.
Bruno Barbosa de Alencar 08/07/2009 15:53