Matizes de um sentimento
A última flor vermelha sangrou o dedo
E conseguiu desviar a atenção do beijo
Cada gota de sangue escorria com medo
De um maldoso dilema sentido no peito.
De que adianta um coração embebido
Em formol e com contornos perfeitos?
Se o sentimento cristalino ora sofrido
Ora temido, não consegue surtir efeito.
Sombras de gotas de sangue seguidas
Distantes de um desfecho tranqüilo
Em que a lua descorou ao ver a ferida
E antes da noite escurecer o caminho
O orvalho do espírito encontrou a saída
Nos matizes reluzentes de um pergaminho.
Bruno Barbosa de Alencar 13/06/2009 0:09