Justiça assassina

Um pássaro ensaia seu último desejo

Ao ser mira certeira da vontade humana

Difícil entender os anseios de quem voa

Impossível aceitar a hipocrisia do tiro

 

Com a  indecisão de  planar sob o vento

Interrompida ao som de uma alma sem dó

Sucumbe ao ser alvo perfeito do destino

Escolhido por gente que não sabe quem é

Sente assim o projétil cravado em sua asa.

 

E agora a gravidade não mais lhe questiona

E o crime do homem  que tão grave sustenta

A queda livre do corpo com orvalho se choca.

Comemora o abate o então caçador.

 

Ao sair da prisão, sem titubear, o réu caçador

Na procura de um bar, sem querer, encontrou

Com um cano de aço a afrontar seu destino

E com um tiro no peito, foi-se o  caçador

E o assassino a voar como um planador…

 

Bruno Barbosa de Alencar

 ( Sem sentido )

5/8/2006

1 Comentário »

  1. angela ignez disse

    Muito bonito seus versos…,talvez a falta “de sentido” para você que faz dele um poema tão universal

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