Pensar em novos tempos da política econômica mundial pode ser um erro catastrófico. É sabido que em tempos de profundo caos no mercado financeiro, sempre existe um personagem messiânico criado ou inventado para tentar contornar a crise. Não se conseguiu discutir outra coisa nos principais telejornais mundiais, nos últimos dias, que não fugisse da eleição de Barack Obama, o primeiro negro presidente dos EUA. Mediante a crise que se instalou de forma abrupta, nada mais justificável. Porém, devemos fazer uma leitura crítica desta nova condição política que está por vir.
Não há muito que se comemorar ou sonhar. Principalmente as nações miseráveis africanas que conseguem enxergar, numa suposta irmandade racial com o presidente eleito, um possível alento para as mazelas que, famigeradas, assolam os desolados subdesenvolvidos, a arrastar as solas dos pés em espinhos e em estradas de chão batido. Claro que, ao se fazer um breve resumo da atuação política de Bush, há uma imensa euforia desenhada por trás de uma grande fumaça de pólvora que fundamentou a atuação política do republicano. Há facções da mídia que, de tão míopes e envolvidas pelo frenesi norte-americano, chegaram a comparar a eleição do primeiro negro nos EUA com a eleição de Lula no Brasil. Até quando viveremos escravos dessa ideologia nacionalista que beira a demagogia barata?
Engana-se o leitor que achar que estou criticando o novo presidente dos EUA, apenas não me iludo com o cenário eufórico de fins dos tempos que se criou, e que agora aponta para uma solução “paliativa” em todos os campos de atuação. Quem não consegue lembrar a tragédia que Osama Bin Laden desenhou no fatídico 11 de setembro? Para os radicais da Al-Qaeda, aquele era o messias, personagem capaz de mudar toda aquela história do capitalismo opressor e selvagem vivida pelos EUA. Embora não caiba, aqui, a comparação, há nos dois casos uma semelhança inadvertida. No caso de Obama, é como se fosse o último cavaleiro do apocalipse (a falsa inocência, a paz disfarçada), já Osama é considerado uma ameaça constante e possível, caracterizando-o como o cavaleiro vermelho (o que destrói pela guerra).
Enquanto isso, em nações miseráveis e semipobres entre as quais a nossa se inclui, espera-se encontrar no presidente democrata a resposta para a falta de competitividade de seus produtos no mercado internacional; acreditamos que o eleito presidente verá com bons olhos o livre comércio das Américas. Obama não é um santo missionário, é um presidente bem intencionado que talvez não dê prosseguimento às condutas imperialistas e intervencionistas de George Bush. Talvez, Obama realmente desmonte a base militar de Guantánamo e reaproxime os EUA de Cuba, ou, quem sabe, não opte pela manutenção de bases e tropas americanas em territórios de conflitos apenas para reforçar o conceito de “polícia do mundo” que os americanos carregam.
São possibilidades, que devem ser analisadas com muito ceticismo e cuidado. Em resumo, seu governo tem boas perspectivas, basicamente pela má conduta de seu antecessor do que em relação ao que se comenta em jornais e revistas sobre sua grande capacidade administrativa. É sempre bom reforçar que ele é inexperiente e não vai colocar em cheque, por genuína benevolência espiritual ou por súplica da humanidade, a hegemonia americana no mundo capitalista. Pode-se afirmar, com convicção, que Obama não vai ganhar o prêmio Nobel da paz de 2009, e isso não será o fim do mundo.
Bruno Barbosa de Alencar 10/11/2008; 23h: 39min
