Catarse da insanidade poética

Ainda sonhava com aquele decote.

O sorriso largo e “primo” delineava meu sono

Dormia e sentia as rendas tão bem trabalhadas

Entre meus dedos gelados e trêmulos.

A saliva secava com aquele desejo maior.

Abrem-se as cortinas, os olhos lacrimejam

Crime passional, beijo técnico, poesia de bar.

Era um encontro mágico, especial e inédito

Cada segundo que rompia o silêncio me apreendia

Seria verossímil? Seria uma rima? Seria imaginação?

A luz do holofote clareava sua imensidão misteriosa

A poesia se rendia ao teatro completamente apaixonada

Versos, odes, rimas, estrofes se confundiam no ato.

A poesia impassível se encantava pela fala, gesto e olhar.

Seria a conjunção do sentimento  exaltado e eternizado?

Se era sonho ou verdade, não mudava a percepção do real

De que o poeta se encantou com a aquela personagem.

Naquele momento sublime poesia e teatro representaram

A perfeita sintonia de eu-líricos apaixonados em cena

E de dois personagens reais adaptados em realidades distintas, nós.

Bruno Barbosa de Alencar 8/03/2010 19:04

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