Alma chagásica
De um dia assim tudo foi-se ao fim
O enganar de minh´alma sorridente
Lacera minhas entranhas fétidas
Sobre o triste corrompido, meu pesar
Que anda a penar maiores sofrimentos
A loucura e o devaneio me fazem iludir
Uma pérfida alma fraca e insegura
E o mundo a cada dia me despindo
Tornando-me nu, cru e ausente
Quisera eu um dia esperar um milagre
Para assim, quem sabe honrar a tudo
E àqueles que confiam em mim
E destinam suas crenças e preces…
O crime da alma é o pior de todos arrependimentos
A frieza do reconhecimento faz de mim
Um transcendente sem dente
E sem mente , quase um doente,
Insano e estúpido a corromper-me
Com o que mais me é comum na vida
O niilismo não declarado mas agora comprovado
Com a fraqueza moral de uma alma mortal, cabal e sacal!
Bruno Barbosa Alencar ( em um dia em que despertei
com gritos suplicantes de uma criança que sentia fome
e frio na Rua na madrugada chuvosa do Rio de Janeiro
em Julho de 2002)