São 19:43 PM, de um sábado dia 03/12/11, um dia no qual alguns conceitos precisam ser esclarescidos. O primeiro deles é simples, não existe sentimento maior do que a plenitude do dever cumprido. Hoje, independente dos acontecimentos do dia de amanhã, sinto uma sensação inabalável que nem a pior queda na última batalha e nem mesmo a maior vitória do improvável conseguem mudar este sentimento. A paixão consegue traçar rumos às vezes mal compreendidos pelas pessoas. Por isso, através de um momento racional como este consigo valorizar o que atualmente definimos como superação. Sempre estivemos em condições adversas, condições contrárias que para muitos céticos e até mesmo aqueles mais cautelosos resumiam como o momento da derrocada de um grupo. Isso, nunca aconteceu este ano. Como médico,talvez, posso ter uma idéia mais concreta do que é a realidade de um evento agudo como o acidente vascular hemorrágico extenso cujo técnico do Vasco foi acometido durante sua jornada de trabalho. E concomitante este “acidente” acontecia como pano de fundo uma partida de futebol entre duas equipes que tradicionalmente se definem como rivais. Não é do feitio do verdadeiro campeão ficar questionando o jogo não ter sido paralisado no momento em que a vida de um profissional ligado diretamente ao espetáculo corria risco eminente. É superável como foi para os atletas , embora inaceitável como conduta esportiva. Não perdendo o momento deste mesmo jogo, ouvir a torcida adversária em coro gritando a bestialização do ser-humano “ Uh vai morrer! ” torna-se perfeitamente compreensível que a mesma torcida faça o papel de organizar uma “comemoração ” ao vice-campeonato de um time que sensibilizou muitos daqueles que se travestem de rivais. Muito menos irei questionar o inquestionável lance de penalti não sinalizado pelo árbitro da partida ( aquele mesmo que não interrompeu o espetáculo mesmo observando a movimentação de ambulância de UTI, desespero de comissão técnica e jogadores) esta função eu reservo para os derrotados de alma e de espírito de luta, jamais nós, vascaínos. Será que um ser-humano consegue exercer sua plena capacidade de realizar sua funcão enquanto seu chefe ou comandante sofre um atentado à vida? Ali parecia que os elos da corrente se desmantelariam independente do desfecho do acontecimento. Pura ilusão!O que o sofrimento e a angústia conseguiram foi ímpar. Ali se criava uma entidade maior chamada Sentimento futebol clube. Poderia ser com qualquer clube, sorte a minha que foi com o meu de coração! E com o passar do tempo, como bons vinhos a força ia ganhando as esquinas de bar, ultrapassando o limite do torcer, invadia corações que gostavam e estavam carentes de uma demonstração tão genuína de união e capacidade de se erguer superando obstáculos quase intransponíveis. Ao mesmo tempo havia a recuperação incrível e emocionante daquele comandante que um dia sofreu um atentado mas que nunca abandonou sua nau, inspirando e conseguindo resultados inapeláveis e apresentações impecáveis.Mesmo que o resultado de amanhã não seja o que nossa sociedade atualmente coloca como o único prêmio valorizado. Eu falo de um time, de um sentimento que sensibilizou muitos, que deixou cada vascaíno entender realmente por quê é tão bom ser vascaíno, ter orgulho de ser campeão, vice, desclassificado. O que vale na vida é o sentimento, puro e avassalador como esse sentimento que este time me proporcionou este ano. Obrigado a todos que um dia tiveram ou mesmo os que por alguns instantes tiveram a invasão inconsciente do que hoje se chama superação, mas que sempre foi reconhecido como o SENTIMENTO! Parabéns Clube de Regatas Vasco da Gama o orgulho de todos os vascaínos e muitos seres-humanos que viram que ainda podem acreditar que o mais importante ao final não é o que se ganha, mas o que se conquista e o que fica no coração eternamente!

Anônimo disse
espetacular!!! parabéns