Poema de um hermano amigo:

Minhas predileções

Ah! meu caro cão engarrafado
O quanto te agradeço
O tanto que você tem me consolado

Ah meu status cobiçado
O quanto te amaldiçoo
O que você tem me custado

Ah minha musa do momento
O quanto regorjizo
Todo seu desamparo e acalento

KILL BIL vol2.

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Quis gostar e gastei…

Gostaram muito, mas,

Pediram para estornar,

Voltei  à realidade assim.

Sem querer encontrei

Uma realidade distinta

Diferente, sempre assim

Descontente, austero.

Desespero de poucos

Paz de outros,  muitos.

Sentidos perdidos ao leo

Ao seu dispor e também.

O seu ouvido sem o tal:

- Quer me fazer muito feliz?

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Antídotos

A mesma gota da chuva que faz nascer o broto de uma flor, faz nascer um espinho.

Bruno Barbosa de  Alencar

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Mares de sentimentos inexplicáveis

São 19:43 PM, de um sábado dia 03/12/11, um dia no qual alguns conceitos precisam ser esclarescidos. O primeiro deles é simples, não existe sentimento maior do que a plenitude do dever cumprido. Hoje, independente dos acontecimentos do dia de amanhã, sinto uma sensação inabalável que nem a pior queda na última batalha e nem mesmo a maior vitória do improvável conseguem mudar este sentimento. A paixão consegue traçar rumos às vezes mal compreendidos pelas pessoas. Por isso, através de um momento racional como este consigo valorizar o que atualmente definimos como superação. Sempre estivemos em condições adversas, condições contrárias que para muitos céticos e até mesmo aqueles mais cautelosos resumiam como o momento da derrocada de um grupo. Isso, nunca aconteceu este ano. Como médico,talvez, posso ter uma idéia  mais concreta do que é a realidade de um evento agudo como o acidente vascular hemorrágico extenso cujo técnico do Vasco foi acometido  durante sua jornada de trabalho. E concomitante este “acidente” acontecia  como pano de fundo uma partida de futebol entre duas equipes que tradicionalmente se definem como rivais.  Não é do feitio do verdadeiro campeão ficar questionando o jogo não ter sido paralisado no momento em que a vida de um profissional ligado diretamente ao espetáculo corria risco eminente. É  superável como foi para os atletas , embora inaceitável como conduta esportiva. Não perdendo o momento deste mesmo jogo, ouvir a torcida adversária em coro gritando a bestialização do ser-humano “  Uh vai morrer! ” torna-se perfeitamente compreensível que a mesma torcida faça o papel de organizar uma “comemoração ” ao vice-campeonato de um time que sensibilizou muitos daqueles que se travestem de rivais. Muito menos irei questionar o inquestionável lance de penalti não sinalizado pelo árbitro da partida ( aquele mesmo que não interrompeu o espetáculo mesmo observando a movimentação de ambulância de UTI, desespero de comissão técnica e jogadores) esta função eu reservo para os derrotados de alma e de espírito de luta, jamais nós, vascaínos. Será que um ser-humano consegue exercer sua plena capacidade de realizar sua funcão enquanto seu chefe ou comandante sofre um atentado à vida? Ali parecia que os elos da corrente se desmantelariam independente do desfecho do acontecimento. Pura ilusão!O que o sofrimento e a angústia conseguiram foi ímpar. Ali se criava uma entidade maior chamada Sentimento futebol clube. Poderia ser com qualquer clube, sorte a minha que foi com o meu de coração! E com o passar do tempo, como bons vinhos a força ia ganhando as esquinas de bar, ultrapassando o limite do torcer, invadia corações que gostavam e estavam carentes de uma demonstração  tão genuína de união e capacidade de se erguer superando obstáculos quase intransponíveis. Ao mesmo tempo havia a recuperação incrível e emocionante daquele comandante que um dia sofreu um atentado mas que nunca abandonou sua nau, inspirando e conseguindo resultados inapeláveis e apresentações impecáveis.Mesmo que o resultado de amanhã  não seja o que nossa sociedade atualmente coloca como o único prêmio valorizado. Eu falo de um time, de um sentimento que sensibilizou muitos, que deixou cada vascaíno entender realmente por quê é tão bom ser vascaíno, ter orgulho de ser campeão, vice, desclassificado. O que vale na vida é o sentimento, puro e avassalador como esse sentimento que este time me proporcionou este ano. Obrigado a todos que um dia tiveram ou mesmo os que por alguns instantes tiveram a invasão inconsciente do que hoje se chama superação, mas que sempre foi reconhecido como o SENTIMENTO! Parabéns Clube de Regatas Vasco da Gama o orgulho de todos os vascaínos e muitos seres-humanos que viram  que ainda podem acreditar que o mais importante ao final não é o que se ganha, mas o que se conquista e o que fica no coração eternamente!

Bruno Barbosa de Alencar

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Represália

Um dia deixaremos de exisitir, toda aquela euforia sucumbirá… Uma poesia poderá guiar toda humanidade, teorias sobre o fim da existência começarão a influenciar o pensamento. Todas as composições musicais se transformariam num filme de curta-metragem. As poesias seriam frases mal feitas. O inteligível seria o inatingível. Confrontaríamos os temíveis erros inapeláveis.
Erramos sempre, percebe-se?

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Sentilometria

A poesia é nosso sedentarismo inconsciente.
Mesmo sem esforço ela invade nossa alma.
Sem precisar de um estímulo e sem pudor.
Consegue transpor obstáculos com calma.
Renasce o sentimento, sublimando a dor
Que anestesiada, já não incomoda o doutor.

Bruno Barbosa de Alencar 25/08/2011  19:28

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Colírios com lírios,

O que os meus olhos míopes não querem ver, o meu coração nem faz questão de sentir. Melhor colírio que uma oftalmologista poderia me receitar seria a capacidade de sentir aquela taquicardia sinusal sem precisar ver tantas imperfeições… Aberrâncias!

 

Lugar comum: “O que os olhos não  vêem o coração não sente!”

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Aprendiz da desilusão

Entendida a ilusão do utópico e fantasioso sentimento,

Transfere a culpa incapaz e ineficaz para um semblante

Lacera as entranhas pálidas, belisca o descanso da alma

Intérprete de uma linguagem nunca bem compreendida

Quantas folhas caducas serviram de adubo para semente

Se mente, demente acorda do sono  vívido em decadência

Ciência inóspita, rituais elaborados, frases não declaradas.

Roupas usadas, fitas de vídeo, poemas em cantos de livros.

Véu e grinalda descorados alegram a celebração de tantos

Fel de tantas quimeras criadas em noites de meus calafrios.

Volte sem ir, pleonasmo! Esqueça a loucura aqui declamada.

Procure alinhar as palavras e convergir o maior sentimento.

Para haver a relíquia bem quista é necessário desaprender

Que somos seres bisonhos, humanos  sem perdas e danos.

Bruno Barbosa de Alencar 02/08/11

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Incômodos Incólumes

Se era tanto faz tanto fez,

Por quê não consigo dormir?

O que faz retumbar tão forte que ensurdesse meu peito?

O despertador do sentimento nem precisou acordar tão cedo. Sonambulando-me.

A matéria em vão solicita com motim um repouso para minhas vertigens sensatas.

Em vão.

Outra onda de encanto invade meu ser.

E o mesmo motivo me traz avidez. Que prazer o sentido de estar com você.

Bruno Barbosa de Alencar 15/06/11  00:45

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Influir, fluir…

Chega uma hora em que temos que aparar nossas arestas, depurar as energias que nos ajudam a involuir com influências ruins.É tempo de  crescer, fortalecer, amadurecer e principalmente entender o verdadeiro sentido de nossas vidas. O primeiro passo é o autoconhecimento! São tantos talentos que nem temos consciência da existência em nosso interior. A sedução invariavelmente tenta maquiar nossos piores defeitos. Sejamos críticos e guerreiros conosco. Tudo posteriormente faz sentido e consegue ter uma explicação perfeita e contextualizada na escala temporal de nossas vidas…

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PARAFRASEANDO…

Quadrilha

Carlos Drummond de Andrade

Composição : Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história

CHICO BUARQUE PARAFRASEOU ASSIM A QUADRILHA DE DRUMMOND:

Flor da Idade

Chico Buarque

Composição : Chico Buarque de Holanda

A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor

Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor
Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha

EIS A MINHA PARÁFRASE…

Aurora da vida

Bruno Barbosa de Alencar


Minha gente demora pra ficar tão bem na hora de tanta folia.

Uns pedem Mojito e outros bebem Coca-cola bem à luz do dia.

Nesse boteco não tem tristeza nem repeteco é gente com alegria. E tanta energia.

Ah essa dose presta pra chegar depressa aquele jeito encantador.

Que até Dom Juan inveja as histórias breves com tanto fulgor.

E brinda e muda o olhar e molha o beijo e corta o queijo e monta a armadilha.

E aquela mesa já toda torta acolhe o bêbado de toda hora que nem pediu por favor.

Ela vem faceira só pra ouvir de perto e dançar bem longe do seu grande amor.

E a dança formada agora envolve todos que chegam cedo em busca da ousadia.

Rê amava Rafa que amava Pedro que amava Gê que beijava todos ao ouvir a  tal melodia.

Jorge beijava Carla que servia a Marcos que fogia dela por ser uma perfeita vadia.Que  servia toda a quadrilha.

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De que vale o seu LUTO?

Antes de colocarmos LUTO no Facebook ou em qualquer lugar devemos fazer uma análise crítica sobre a chacina no Rio de Janeiro. Atos similares ocorridos nos EUA foram noticiados sistematicamente pela imprensa nacional. Não será supresa se a barbárie “antes típica norte-americana” virar um lugar-comum na terra tupiniquim. Loucos, maníacos, esquizofrênicos sempre coexistirão na sociedade disfarçados de cordeiros, defensores do meio-ambiente, defensores de animais, advogados, médicos, pedreiros, etc… Talvez a função menos passiva e mais consciente seria não fomentar a voz que o esquizóide ou o esquizofrênico ouve e o faz cometer certas atrocidades… ( Que Deus ilumine a famíla das vítimas )

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Jardim de sentidos

Seu sorriso é o elixir que encanta meu ser

Os olhos iluminam caminhada em  transe

Hipnose de sentidos como flor do prazer

Fascina a alma e almeja sem que me canse

Algoz da tristeza, ilumina a magia do ser

Felicidade simples, júbilo de um romance

Pérola extinta desenhada ao amanhecer

Sem tinta com cores distintas em relance

Evaporar como orvalho sublimado ao ver

O azul dos olhos sacudir sem que balance!

Bruno Barbosa de Alencar 04/02/2011 13:36

Undisclosed desires, de Muse

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O nadir do abismo

Entre o vale da ilusão, debruçam-se a hipocrisia sedimentar  e a falsidade metamórfica, dois tipos de rochas que se passam por  montanhas. Hoje, a relva esmeraldina com cheiro de orvalho que cobre as pedras de ambas montanhas engana muitos. Quem conhece a origem da lava sabe que a chuva não lava as impurezas da alma. Ao contrário, ela transforma em sedimentos, pedrinhas capazes de se agregarem, formar uma estrutura frágil e sem identidade. E às vezes, a amplitude de seu ápice pode iludir um sentimento pela sua imponência. Mera futilidade, ilusão de ótica. Lá entre as montanhas vizinhas, uma de rocha sedimentar e a outra de rocha metamórfica, encontra-se um rio, que da parte mais baixa deste relevo sentimental irrelevante purifica todas as impurezas, abriga todas as pedras desagregadas e mesmo estando no nadir deste abismo corrupto bilateral rochoso, segue seu caminho.O rio traça seus objetivos, procura um bem maior na imensidão de um oceano de sentimentos sinceros e transparentes,  sem precisar se expor, se impor ou mesmo sofrer com a avalanche de incertezas ou a destruição intempestiva das rochas impassíveis, imóveis e sem evolução.

Bruno Barbosa de Alencar 15/10/2010

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Reflexões refletidas

Antes do meu sorriso sucumbir, meus olhos, mesmo entreabertos deixarão de enxergar…

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SOUL

Sou síncope, sem soluçar. Sentimento só se sintetiza sóbrio. Sabendo sobreviver sem súplicios. Sobretudo sem supervalorizar. Simplicidade sem ser simplista, salutar sempre!

Bruno Barbosa de Alencar 18/08/2010

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Catarse da insanidade poética

Ainda sonhava com aquele decote.

O sorriso largo e “primo” delineava meu sono

Dormia e sentia as rendas tão bem trabalhadas

Entre meus dedos gelados e trêmulos.

A saliva secava com aquele desejo maior.


Abrem-se as cortinas, os olhos lacrimejam

Crime passional, beijo técnico, poesia de bar.

Era um encontro mágico, especial e inédito

Cada segundo que rompia o silêncio me apreendia

Seria verossímil? Seria uma rima? Seria imaginação?


A luz do holofote clareava sua imensidão misteriosa

A poesia se rendia ao teatro completamente apaixonada

Versos, odes, rimas, estrofes se confundiam no ato.

A poesia impassível se encantava pela fala, gesto e olhar.

Seria a conjunção do sentimento  exaltado e eternizado?


Se era sonho ou verdade, não mudava a percepção do real

De que o poeta se encantou com a aquela personagem.

Naquele momento sublime poesia e teatro representaram

A perfeita sintonia de eu-líricos apaixonados em cena

E de dois personagens reais adaptados em realidades distintas, nós.


Bruno Barbosa de Alencar 8/03/2010 19:04



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Súplica de um suplício

Oh! Poesia, deixe livre este corpo!

Já não precisa mais deste cavalo

Que tropeça e nem consegue trotar

Deste corpo, a matéria emprestada

A alma já galopa sozinha e distante.


Deixe meu coração gélido e pétreo!

Tantos sentimentos inoportunos

Fizeram na rima, um soneto feliz

Até a penumbra detonar o sentido.

Bem aventurados, os impassíveis!


Chega de tanta ilusão profana!

Afaste este calor do meu peito!

Permita-me uma noite de sono!

Ser comum sem me arrepender!

São tantas incertezas da alma!


Tire-me a emoção de escrever

Devolva-me a calmaria do ser

Nem vou reclamar ou beber

Especular, profanar ou mal dizer

Não preciso de amor, mas quero  viver!


Bruno Barbosa de Alencar  10/03/10 21:42


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Poesia de um(a) anônimo(a) amigo(a)

Maestro Poeta

Eleva-se às alturas
Buscando alívio imediato para tanta angústia!

Dádiva é tocar a corda do sentimento de quem nos lê ou escuta
Aprendizes da matemática da emoção
Que não possui conta exata e que fere qualquer regra da lógica.

Fugir das amarras teóricas
E dos entraves da mente
Descobrir novas constelações
Sem mesmo conhecer o limite do Universo.

Completa cada espaço vazio
Com união de luzes, elos e linhas
E com a alma solta e absolvida
Faz-se o poema.

Como uma sinfonia que o maestro poeta
Rege suave sonoridade
Majestosa graça da orquestra.

Lança luzes e lampejos
Mesmo com a inexistência de platéia
Nega o espaço imaginário não ocupado
Assume ser poesia!

E deixa-se fluir
Como sopro lúdico em nossas esferas
Sem  maldades, somente resignação
Quem sabe a felicidade venha?

( Esta poesia me foi enviada por e-mail de um(a) amigo(a) que me solicitou o anonimato )

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IN MEMORIAM

            A última lágrima que pingou no piso daquela unidade de terapia intensiva foi de uma filha no seu significado integral. Filha por entender que a trajetória de vida daquele paciente rodiado de aparelhos e cateteres havia sido cumprida e este era  seu pai.

            Normalmente as histórias de vida dos pacientes são ouvidas de forma un passã pelo médico atendente. Provavelmente uma adaptação do jaleco branco que não se envolve emocionalmente com os problemas  daquele que será por ele assistido.O que não é passível de crítica pois sem este envolvimento emocional o médico pode traçar condutas mais racionais e menos inseguras para o paciente. Mas naquele dia foi diferente…

            Tratava-se de um senhor com QI acima da média, tocava piano, violão, era o responsável pelo divertimento da família. Há 10 anos, um AVC o acometeu, tirando-lhe a fala. A filha fazia questão de enfatizar que mesmo assim a afasia não lhe roubara a felicidade. Pelo contrário, ele continuava sua tarefa de integração familiar nas tardes de domingo com suas sinfonias clássicas tão bem executadas naquele piano de cauda. Foram 5 anos de superação, embora não conseguisse falar, expressava-se por gestos e fazia-se entendido.

            Até que outro AVC o deixou plégico à direita. E não conseguir movimentar seus dedos, foi uma condição implacável. Aquela superação do primeiro episódio não aconteceu desta vez. Tornou-se apático, infeliz. Mal podia ouvir Bach ou Chopin que uma lágrima escorria de seu rosto. Não foi difícil diagnosticar sua disúria ( dificuldade de urinar ) como um câncer de próstata avançado. Depois veio a pneumonia, a dificuldade de respirar e a intubação da via aérea aos 92 anos. Para quê? Talvez para que o médico plantonista da UTI conseguisse esperar o horário da visita para ouvir essa história de sua filha que implorava que seu pai não sentisse qualquer  dor ou sofrimento. Ela não queria hemodiálise, não queria antibiótico mais forte, não queria medicação para manter a pressão… Queria demonstrar amor, queria convencer aquele médico plantonista de que existe um motivo maior para que nossa vida seja humana, seja decidida numa amplitude muito maior do que alcança nossa visão ambiciosa. Somos mortais, mas temos nossas missões. Muitas vezes desistimos ou abdicamos de nossa vocação por egoísmo ou por convenção. Sejamos humanos e racionalizemos o sentimento! O paciente que está com a vida sob um fio agora, encontrou sua ponte, sua passagem que será livre de qualquer insegurança. Este é o início do fim. O extremo da vida é o vetor resultante de nossa capacidade de tranformar o que está ao nosso redor e o que está fora de nosso controle. Este senhor conseguiu na esfera familar e na hospitalar transpassar como um raio-x a blindagem do jaleco branco. Arrancando de mim este relato em tom de homenagem.

Bruno Barbosa de Alencar 25/02/2010 17:45

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Abstração de vícios com abstinência de afeto

Abdicar de um vício é profanar uma religião

É se libertar de entraves de prazeres ímpares

É conquistar o impossível e parecer tudo em vão.

É se importar com uma imagem que já é denegrida.

É criar tempestades tórridas que viraram tufão

Sobre aquela casa serena sonhada e preferida.

Hoje entendo as síndromes de abstinência do ser

Meus vícios são poucos ou não existem sequer

Mas abdicar de um desejo compusivo qualquer

Virou a rotina alma, lugar-comum sem afeto.

Bruno Barbosa de Alencar 29/01/2010

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Carpe Omnius

O sentimento se esconde em qualquer fuga

Fuja da prestação, do carnê do baú e do amor

A promessa do amor como em novela das seis

Embaraça o espanhol e engravida o francês

Goteja um desejo em formato de obsessão

Transtorna  idéias, palavras, braços e pernas.

A pele, o beijo e o prazer tão bem escondidos

Aquecem  as extremidades sentidas abstratas

Ruborizam a macã do rosto com a fruta de Adão

E a cama ainda não se recuperou da enxurrada

de fluidos e sussuros embalados e reprimidos.

Versos sem rimas, sem poesia, todos desnudos

Os versos de motéis merecem alguma notória!

Ao desvendar o segredo do pecado consumido.

Bruno Barbosa de Alencar 06/10/2009

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(IN) compatibilidades

 

O paciente morreu, doutor! Acorde!

O sentimento nasceu, poeta! Escreva!

Ateste o óbito antes que a dor apodreça!

Declame o amor e a paixão em acordes!

 

Um dia se foi…

 

Choque! Choque, o paciente voltou!

Odes não consolam a dor da ilusão!

Abra o olho e fite o doutor que o salvou!

Cantigas de amor redigidas em vão!

 

Outro dia se foi…

 

O poeta vestiu seu jaleco e sorriu

Encostou sua pena na dor de outrem

Auscultou o amor de uma rima feliz

De corações diferentes iguais e afins.

 

Bruno Barbosa de Alencar 11/09/2009 11:53

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Turbulências Sentimentais

Feito um raio avassalador meu coração sucumbiu

Estilhaços e pedaços de antigas páginas de livros

Poesias sem fim, saboreiam o prazer de planar.

Aperte o cinto de segurança pois é só turbulência

De sentimentos prematuros e maduros, enfim.

Sensação de voar, sem ser Peter Pan, sem ciência

Explicação ineficaz de um sentimento simples assim

Vem dos ares sublimes como uma brisa mançônica.

Ressaca do mar, ondas revoltas, ó deuses do mar!

Não se revoltem com os deuses dos ares amenos

Eles podem das nuvens realizar todos os desejos

Como este sonho surreal de uma viagem aos céus

Onde as nuvens e o sol são os cenários perfeitos

Desce à Terra serena e empresta-me a satisfação.

 

Bruno Barbosa de Alencar 12/08/09 22:39

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Receita de bolo

Indeciso e abstrato o olhar declamado às estrelas

Toques e dedilhados manuseiam o fim da noite

Brisa ao rosto no luau de verão, cantorias à capela

Apelos de notas musicais em sustenido menor.

 

Embalado ao ritmo do coração egotista

Nem se incomoda com calo do dedo

Do lado esquerdo do peito só alegria

Findas horas, regresso dos sentimentos.

 

Torneada figura desejada assim, nua

Longe de todos e exclusiva para mim

Entre os dentes sua pele como naco de pão

 

Entorno à fogueira, queimava-se tudo

Beijos e afagos incessantes, profundos

Dorme serena ao silêncio do amor oportuno.

 

Bruno Barbosa de Alencar 18/07/2009 00:47

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O enigma da incoerência

Gotas de colírio de lágrimas artificiais

Pacotes de pipoca em cinemas vazios

Ateliê de pinturas com quadros ovais

Formas concretas, pinceladas macias.

Pé de moleque em boca de diabético.

Lentes divergentes para vista cansada.

Modelos famintas por jaleco de médico.

Bombril na ponta de antena quebrada.

Remenda de soneto que não rimou

Com a incoerência que desatinou.

 

Não há loucura justificável no medo

Mas, sua ausência trouxe-me sorte.

Mesmo na dúvida e na insegurança

Mesmo criticando o seu lindo decote

Desculpava-me, depois, pobre criança!

Você não me fez melhor e nem tanto pior.

Você, previsível,  escapou impunemente.

E cultivou o meu sentimento como rosa

Que sem regar secou sobre tantos tormentos

Foi também vil, paradoxal e incoerente.

Inoportuna, fraca, mesquinha e decadente

Vá em paz,  e descanse solenemente,

Pois o que foi paradoxo, hoje é fortaleza.

E, não existe palácio sem que haja realeza.

 

Bruno Barbosa de Alencar 08/07/2009 15:53

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A Ritalinda

A Rita entornou o meu chá de juízo

Devolvendo um pedaço do prejuízo.

A Rita gravou na aliança meu nome

Enganou o marido de forma infame

Dizendo que o nome era do protetor

Um santo despido de amor e pudor

Foram tantas estórias e crimes perfeitos

Que nunca pensaram que eu era suspeito

Mas sempre trocávamos olhares em vão

Que agora preciso de um novo quinhão

Para evitar a mesmice incoerente do sim.

Acordar sem alarme sem ressaca sem fim.

Rita de tantas, clandestinas idéias deturpadoras

Lina de poucos herdeiros mas tantos amores

Loucuras sóbrias, destemidas noites de estudo

É alívio do sono, insônia dos sóbrios sortudos

Amantes de uma constante variável,  a Rita,

Cantam verborrágicos ao meu violão, a Vida.

 

Bruno Barbosa de Alencar

Paródia de “ ARita” de Chico Buarque ( 24/06/2009)

pneruda

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Cores do renascimento

O feixe de luz transfundiu a ausência

De lucidez escondida entre o zumbido

Do vento lancinante da impertinência

Solstício aproxima o calor esquecido.

 

Contorna as cores vivas com fragrância

Ímpar, pérola no cristal amarelo do âmbar.

Embalsamado reflexo de suma importância

Pétalas, folhas, pólen da fertilidade no ar

 

Orvalho matinal evaporando a cinza sem cor

Zunidos de insetos inspiram maiores cantores

Pássaros regentes da alma  não temem a dor.

 

Água fecunda as sementes de novos rumores

Com a calma de uma vespertina brisa de amor

Aguarda fênix à noite com oferenda de flores.

 

Bruno Barbosa de Alencar 13/06/2009

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Matizes de um sentimento

A última flor vermelha sangrou o dedo
E conseguiu desviar a atenção do beijo
Cada gota de sangue escorria com medo
De um maldoso dilema sentido no peito.

De que adianta um coração embebido
Em formol e com contornos perfeitos?
Se o sentimento cristalino ora sofrido
Ora temido, não consegue surtir efeito.

Sombras de gotas de sangue seguidas
Distantes de um desfecho tranqüilo
Em que a lua descorou ao ver a ferida

E antes da noite escurecer o caminho
O orvalho do espírito encontrou a saída
Nos matizes reluzentes de um pergaminho.

Bruno Barbosa de Alencar 13/06/2009 0:09

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Registro

Este blog acaba de bater recorde de visitas desde sua criação.

Foram 160 visitas no dia 09/06/2009!

 

Obrigado e voltem sempre!

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